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Por trás das cortinas: o teatro como espaço de olhar e transformação

  • 18 de fev.
  • 1 min de leitura

O teatro nasceu no momento em que o grego Tespis, em 534 a.C., subiu em uma carroça, colocou uma máscara e disse: "Eu sou o personagem". Ali, ele não só inventava a profissão de ator, como criava o theatron, o "lugar de onde se vê", reforçando que a obra só se completa no olhar de quem assiste. No Brasil, essa arte ganhou força com o improviso dos jesuítas, mas foi o brasileiro Augusto Boal quem revolucionou o mundo ao criar o Teatro do Oprimido. Ao convidar o público para o palco como "espect-atores", Boal transformou a contemplação em ferramenta de mudança social, provando que o palco é, antes de tudo, um espaço de voz coletiva e ação real. Essa energia política convive com segredos técnicos que poucos notam, como o fato de as poltronas serem quase sempre vermelhas. A escolha não é apenas estética: o vermelho é a primeira cor que o olho humano para de enxergar quando a luz baixa, o que ajuda a "apagar" a plateia para que o palco brilhe sozinho e o veludo absorva o som com perfeição. Essa mesma lógica de bastidor alimenta tradições curiosas, como o costume de desejar "Merda!" em vez de boa sorte. O termo remonta às carruagens, pois quanto mais esterco na porta do teatro, mais cavalos traziam o público e maior era o sucesso da noite. O teatro segue como a forma mais autêntica de liberdade, onde a plateia não apenas assiste, mas celebra a própria alma.

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Augusto Boal durante aula de Teatro

Foto: Outras Palavras



 
 
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