Cinema brasileiro vive noite histórica no Globo de Ouro
- Falando em Cultura
- 12 de jan.
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A presença brasileira no Globo de Ouro ganhou contornos históricos com a conquista de dois prêmios de grande relevância. O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu na categoria Melhor Filme em Língua Não Inglesa, enquanto Wagner Moura foi reconhecido como Melhor Ator em Filme de Drama, em uma noite que reforçou a força e a maturidade do cinema nacional
Ambientado no Brasil dos anos 1970, em pleno regime militar, o enredo constrói um thriller político marcado pela tensão constante e pela atmosfera de vigilância. A narrativa acompanha Marcelo, um professor que retorna ao Recife e se vê envolvido em uma engrenagem de controle, perseguição e silenciamento. O filme articula memória pessoal e repressão estatal, transformando o cotidiano em espaço de ameaça e revelando como a violência política se infiltra nas relações mais íntimas.
A premiação de Wagner Moura reconhece uma atuação contida e profundamente expressiva. Longe de excessos, o ator constrói seu personagem a partir de silêncios, gestos mínimos e olhares atentos, compondo uma figura atravessada pelo medo e pela resistência. O prêmio de Melhor Ator em Drama consolida não apenas o desempenho no filme, mas também a relevância de sua trajetória artística no cinema internacional.
A noite foi marcada ainda por um gesto simbólico que conectou diferentes momentos da história do audiovisual brasileiro. Parte da equipe levou consigo um santinho com a imagem de Fernanda Torres, em alusão à sua indicação ao Oscar .
Ao conquistar duas categorias centrais do Globo de Ouro, o cinema brasileiro reafirma sua capacidade de dialogar com o mundo sem abrir mão de narrativas profundamente enraizadas em sua história. Mais do que prêmios, a noite simboliza a consolidação de um cinema que enfrenta o passado, tensiona o presente e projeta novas possibilidades para o futuro.



