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“O Céu da Língua”: quando a palavra ganha corpo, música e luz

  • Falando em Cultura
  • 4 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 24 de out. de 2025


Na noite de 2 de outubro de 2025, o Salão de Atos da PUCRS foi tomado por uma energia rara: a da palavra viva. “O Céu da Língua”, protagonizado por Gregorio Duvivier, não se limita a um monólogo — é uma celebração do idioma, um convite a sentir a língua portuguesa como matéria poética, sonora e emocional.


Em sessões lotadas, Duvivier conduziu o público por uma travessia entre o riso e o pensamento. Sua presença em cena é a de um contador de histórias que brinca com o verbo, desmonta as palavras e as reconstrói com ironia e ternura. É teatro, mas também é filosofia, música e performance.


O verbo que pulsa


Sob a direção de Luciana Paes, o espetáculo propõe uma encenação minimalista, onde cada gesto e palavra de Duvivier ganha destaque. No entanto, os efeitos de luz, com seus reflexos e sombras sutis, acrescentaram profundidade e textura à cena. Esses detalhes, mesmo simples, criaram atmosferas inesperadas que intensificaram a experiência poética do espetáculo, mostrando que o minimalismo não significa ausência de riqueza visual.


A cena é ainda enriquecida por trilha sonora ao vivo, que acompanha e dialoga com o texto, criando uma atmosfera íntima e envolvente. Cada nota parece respirada junto com as palavras, estabelecendo um diálogo sensível entre som e discurso. Paralelamente, as projeções visuais movimentam-se ao fundo, como pensamentos, lembranças e metáforas visuais que ampliam o significado das falas e introduzem uma dimensão quase onírica ao palco. O resultado é uma experiência onde som, luz e verbo coexistem em harmonia, convidando o espectador a mergulhar completamente na cena.


Entre o riso, a contemplação e a declamação


Um dos momentos mais memoráveis da noite foi Duvivier declamando a poesia “Adeus”, que suspendeu o tempo na plateia. Ali, o humor e a leveza dão lugar a uma intimidade silenciosa: cada palavra parece ecoar no pensamento de cada espectador, criando um instante de pura reflexão e emoção. Esse trecho reforça a capacidade da peça de unir humor, lirismo e sentimento profundo em uma experiência única.


O espetáculo alterna instantes de leveza e ironia com momentos de contemplação e introspecção, conduzindo a plateia a refletir sobre a relação que temos com a linguagem e sobre o modo como ela molda o nosso cotidiano.


O poder de pertencer à palavra


Mais do que uma apresentação, “O Céu da Língua” é uma experiência de escuta. No palco, o ator não fala para o público, mas com ele. Cada frase parece pedir uma resposta, um eco interno, um instante de reflexão. Ao final, o que fica é a sensação de que a língua não é apenas um instrumento de comunicação, mas um espaço de encontro — um lugar onde todos, por um breve momento, pertencemos à mesma respiração.


 
 

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