Pequeno Monstro: Quando a arte confronta o preconceito.
- Falando em Cultura
- 21 de set. de 2025
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Mesmo sob forte chuva, o público lotou o Teatro Renascença para assistir Pequeno Monstro, solo de Silvero Pereira, apresentado dentro da programação do Porto Alegre em Cena 2025. O espetáculo parte de lembranças da infância do artista no sertão cearense, atravessadas por episódios de bullying, homofobia e preconceito, para transformar feridas pessoais em arte potente.
No palco, Silvero mistura memória, ficção e referências culturais em uma narrativa contínua, sem fronteiras claras entre artista e personagem. Sua presença é intensa: ele compartilha vulnerabilidades, mas também firmeza, fazendo da cena um espaço de confronto e libertação. Entre momentos de riso e de dor, a peça convida a plateia a encarar estigmas e refletir sobre as marcas que a sociedade imprime em corpos e identidades que não seguem padrões normativos.
Um dos pontos mais marcantes é a interação do artista com os elementos de cena. As luzes não apenas iluminam, mas projetam imagens diretamente sobre seu corpo, criando jogos de sombra e transformando gestos em metáforas visuais. Outros recursos, como a trilha e a cenografia, também são incorporados à sua atuação, compondo um ambiente que ora acolhe, ora confronta, ampliando a intensidade da experiência.
A condução de Andreia Pires potencializa essa entrega radical. A iluminação, a sonoridade e o espaço não são meros suportes, mas parte da dramaturgia, que convida o espectador a mergulhar em sensações de desconforto, enfrentamento e também reconhecimento.
Após a apresentação, Silvero Pereira recebeu o público com atenção e simpatia. Nosso CEO esteve presente, conversou com o artista e registrou o encontro em foto, em um momento marcado pela cordialidade e pela proximidade entre público e obra. Esse contato reforçou como Pequeno Monstro ultrapassa os limites do palco e se conecta diretamente com quem acompanha sua trajetória.
Ao ocupar o Renascença mesmo em noite chuvosa, o público mostrou a força de um festival que se mantém relevante por abrir espaço a vozes que provocam e transformam. Pequeno Monstro confirma o teatro como território de coragem, onde histórias pessoais se tornam um grito coletivo contra o silêncio e a exclusão.



