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“Ô, loco, meu!” Por que os bordões grudam na cabeça e no coração do brasileiro?

  • Falando em Cultura
  • 27 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de out. de 2025



Se tem uma coisa que o brasileiro ama é repetir um bordão. Pode ser numa mesa de bar, no almoço em família ou nos memes que pipocam nas redes sociais. A frase dita lá nos anos 90 ainda escapa da boca com naturalidade. É como se a gente carregasse pedacinhos da cultura pop na língua. Mas o que esses bordões dizem sobre a gente?


“Rrrrrratinhooo!” — O grito que virou vinheta de uma era

Se você viveu os anos 2000, provavelmente ouviu esse berro saindo da TV ou de algum colega de escola. O bordão, criado como uma vinheta escandalosa no programa do Ratinho, virou um código cultural. Era usado para “denunciar” algo exagerado, bizarro ou hilário.


Mais do que uma piada, essa frase representa a estética do exagero tão presente na TV popular brasileira: tudo é sentido com intensidade. E é exatamente isso que nos faz lembrar.


“Cada mergulho é um flash” — A diva que virou meme antes dos memes.

Esse bordão mostra como o humor brasileiro sabe rir do exagero, mas também usa isso para falar de pertencimento: todos queremos ser vistos, ainda que por um flash.


“Ninguém solta a mão de ninguém” — O bordão que virou resistência

Nem todo bordão vem da ficção. Alguns surgem nas ruas, nos protestos, nas redes. Em 2018, a frase ganhou força como símbolo de solidariedade em tempos de retrocessos. Foi pichada, estampada em camisetas, dita em Libras, bordada em tecidos. Um bordão com alma de manifesto.


Ele prova que bordões não são apenas engraçados: são formas de dizer “estamos juntos” quando o mundo aperta.


Por que eles grudam tanto?

Segundo estudiosos da linguagem, bordões são uma mistura perfeita de repetição, musicalidade e identificação. São quase mantras culturais. Alguns se tornam memes instantâneos, outros demoram anos até serem relembrados com nostalgia.


No teatro, por exemplo, bordões ajudam a fixar personagens caricatos. No humor televisivo, viram assinatura (quem nunca ouviu “Ô loco, meu!” do Faustão?). Já no cinema, frases como “Que a Força esteja com você” ganham status de patrimônio afetivo.


E a inclusão? Os bordões também podem ser acessíveis?

Sim. Hoje, há movimentos importantes para traduzir expressões populares em Libras, com cuidado para manter o sentido cultural. Um bordão é mais do que palavras — é ritmo, é intenção, é contexto. Intérpretes e tradutores adaptam com criatividade e respeito, garantindo que todo mundo entre na brincadeira.


E você, qual bordão nunca sai da sua cabeça?

Relembrar bordões é também revisitar momentos da nossa história coletiva. Eles falam sobre a cultura que consumimos, mas também sobre o modo como escolhemos rir, protestar ou lembrar. No fundo, cada bordão é um espelho — divertido, exagerado, mas ainda assim revelador.



 
 

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